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Como construir um ambiente de trabalho saudável? Dicas e práticas para melhorar suas conexões.



Pare agora e olhe em volta, como você se sente em seu local de trabalho?


É um local de segurança? Onde você pode desenvolver suas ideias com a colaboração de seus colegas e assim ir em busca do melhor resultado? É um local de bem-estar? De profissionalismo?

Com certeza esse seria o ideal de qualquer líder e colaborador que preze por um ambiente de trabalho saudável, mas sabemos que a realidade dentro das empresas não é bem assim. Na maior parte das vezes, ao contrário desse cenário ideal, o local de trabalho é um lugar de constante tensão, onde ao invés de colaboração, predominam a competitividade e as ações reativas.


Voltando ao lado instintivo do ser humano, vemos que essas reações são naturais ao sermos expostos a situações de “perigo”, onde precisamos nos proteger de algo externo. Porém, não estamos na selva, e no escritório essa proteção instintiva já não é necessária. Só precisamos explicar isso ao nosso corpo.

Seja pela competitividade entre os colaboradores, pelo sistema hierárquico que falha, pelo cumprimento de metas ou de objetivos pessoais, fazemos do escritório um ambiente repleto de tensões.



Mas e precisa ser assim?


Claro que não! Inclusive, nem deveria. É de conhecimento geral que o trabalho colaborativo é muito mais produtivo que a construção de uma competitividade entre os colaboradores. E é exatamente nesse ponto que apresentamos a filosofia da “Comunicação Não Violenta”.

A filosofia da Comunicação Não Violenta foi criada pelo psicólogo Marshall Rosenberg (1934-2015), e incialmente era utilizada em escolas e programas para promover a paz, porém, com o passar dos anos as empresas começaram a enxergar nessa técnica um grande potencial, principalmente para resolução de seus conflitos internos.


E como ela funciona?


Para explicar o conceito da CNV, seu criador Marshall utilizou a metáfora da girafa e do chacal.

O chacal é responsável pela linguagem agressiva, sendo um animal controlador e barulhento, ele busca sempre manter seu território. O chacal representa aquele líder/colaborador controlador, que só acredita que algo é bom quando é feito do seu jeito, para ele não há problemas em acusar, gritar ou xingar os seus colegas, desde que consiga aquilo que deseja.

Já a girafa seria exatamente o contrário: ao analisar o panorama da situação ela entende que ofensas não levarão à resolução do problema. Sabe que colaborar é necessário e muito mais produtivo, e sabe que para que isso aconteça é preciso saber escutar. Sempre busca entender o ponto de vista do outro.

Não é simples alcançar o patamar de sabedoria da girafa, é necessário dar um passo para trás antes de qualquer reação antecipada, buscando questionar o panorama maior da discussão, e se realmente escutamos aquilo que o outro tem a dizer. Muitas vezes o que ocorre é apenas uma má interpretação.

A CNV tem como bases a empatia, a escuta ativa e as habilidades de linguagem verbal (escrita ou falada) e não verbal, e além de tudo, se trata de um processo: Não possui um ponto de chegada onde nunca mais teremos conflitos e nos comunicaremos de maneira nítida e não agressiva. Mas sim é um longo caminho, onde encontraremos as mesmas situações de conflito, mas teremos as ferramentas certas para lidar com elas.



E como mudar seus comportamentos no dia a dia?


A filosofia de Marshall define que o processo de aplicação da CNV passa por quatro etapas durante uma conversa: a observação, o sentimento, a necessidade e o pedido. Vem entender:



A OBSERVAÇÃO:

Nós julgamos as ações do outro (quase sempre) desejando prever suas intenções, e a partir de nosso próprio ponto de vista. Assim, não focamos naquilo que é feito, mas sim em nossas expectativas de como aquilo deveria ser feito.

Para iniciarmos na CNV, o primeiro passo é procurar evitar esses pré-julgamentos, buscando observar as situações sem criticar, comparar ou julgar o outro, mas sim procurando exercitar uma escuta ativa. Procure ouvir com atenção e sem interrupções, tentando entender os motivos pelos quais o erro em questão ocorreu. Após a escuta, comunique o que foi observado por você, lembrando de evitar tons de deboche, provocação ou acusação, assim como expressões como “nunca” ou “sempre”, pois passam uma sensação de exagero. Por exemplo, um colaborador atrasou na realização de uma entrevista e o candidato ficou esperando. Como você, sendo o supervisor dele, reagiria?

  1. “De novo atrasado! Já não é a primeira vez que te aviso, você é um desorganizado!”

  2. “Notei que houve um atraso na realização da entrevista e o candidato ficou à sua espera. O que aconteceu?”

A diferença entre os modos de tratamento é nítida. A segunda resposta é a correta caso você deseje se comunicar de forma não violenta, e assim criar um ambiente de trabalho respeitoso e repleto de conexões.



O SENTIMENTO:

Por que você se sente incomodado com essa situação? Como te afeta?

Devemos buscar entender qual o impacto das situações sobre nós, para assim não refletir nossas angústias e expectativas no outro. A CNV procura entender como reagimos aos acontecimentos e qual a importância damos a eles, para assim poder elaborar uma reação adequada, que leve em conta a opinião e o sentimento de ambos os lados.



A NECESSIDADE:

Nessa etapa, buscamos mostrar ao outro nosso como nos sentimos diante daquela situação, e o motivo pela qual ela nos incomoda. Voltando ao exemplo da entrevista podemos entender melhor: Qual opção lhe parece mais eficaz?

  1. “Me sinto sobrecarregado quando você não realiza as entrevistas pois sou eu quem fica responsável por elas em seu lugar.”

  2. “Eu já lhe avisei que não gosto de atrasos! Por que você atrasou de novo? Não fez da maneira que mandei?”

Percebe a diferença na entonação? Quando o outro entende o motivo pelo qual ficamos frustrados, fica muito mais fácil de entender também o porquê a tarefa precisa ser feita. Assim, quebra-se aquela relação de “chefe” e “subordinado” (onde o subordinado irrita-se por estar sendo “mandado”), e cria-se uma relação de colaboração entre as partes, onde ambas entendem a importância de seus lugares na empresa.



O PEDIDO:

Agora é o momento de comunicar suas necessidades. Se você gostaria que as entrevistas fossem realizadas sem atraso, por exemplo, solicite com sutileza.

O conflito já está resolvido, o erro foi observado e comunicado, resta apenas corrigi-lo. Procure utilizar abordagens sérias, porém gentis, como:


“Eu gostaria que você realizasse as entrevistas até o prazo X, tudo bem para você?”


Mudar nossos comportamentos é um processo árduo, que exige dedicação e principalmente vontade, mas que em troca pode nos proporcionar diversas oportunidades e conexões.


Porém, como em todas as coisas, devemos ter cuidado. A Comunicação Não Violenta não deve abrir um espaço de silenciamento de suas necessidades, você não deve aceitar comportamentos abusivos como insubordinação ou assédio moral apenas para não gerar conflitos. Ela serve para facilitar relações já saudáveis, ou possibilitar aquelas que poderiam ser produtivas.


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